Enfim, embora bem produzido, Dark pop é álbum genérico que nunca vai além da fórmula, traço comum na produção fonográfica brasileira dos anos 2020.
Sem identidade, Cleo segue fórmulas no álbum 'Dark pop'
Artista transita por atmosfera sombria ao dar voz sem viço a repertório autoral criado em parceria com nomes como a ascendente cantora King Saints e o rapper fluminense TH4I.
- Categoria: Noticias
- Publicação: 19/10/2023 00:50
- Autor: Por Mauro Ferreira

Resenha de álbum
Título: Dark pop
Artista: Cleo
Edição: Uno Criativo / Sonora Digital
Cotação: ★ ★
♪ Inexiste no primeiro álbum de Cleo, Dark pop, qualquer traço de originalidade na música, no canto e na formatação da obra autoral da artista carioca de 41 recém-completados em 2 de outubro.
Cinco anos após ter se lançado como cantora com os EPs Jungle kid (2018) e Melhor que eu (2018), Cleo apresenta um primeiro álbum sem identidade, feito com bases em fórmulas sonoras e temáticas seguidas em escala industrial no universo pop brasileiro.
Como falta viço, pegada e alcance à voz da artista, pouco ou nada se salva em Dark pop. As músicas, as batidas e o tratamento da voz da cantora soam déjà vu.
Há, sim, tentativa de esboçar emoção real em Ânsia (Cleo, Arthur Marques e Kika Boom), balada forrada com piano que mais parece vinheta ou interlúdio por durar um minuto e 15 segundos. Outra balada, Vício (Cleo, Arthur Marques, Diego Timbó, King Saints e TH4I), ostenta refrão aliciante e tom mais melódico que contradiz a atmosfera sombria do sintético pop urbano que constitui a matéria-prima do álbum Dark pop.
O título do álbum é certeiro, pois Cleo aposta em estética dark. Se Inferno (Cleo, Diego Timbó, Jackie Apostel, Jennie Mosello, King Saints, Lucas Vaz e Th4I) somente ameaça pegar fogo quando entra o sample da gravação de Ardendo assopra (2004), tema do repertório da funkeira Tati Quebra Barraco, Karma (Cleo, Arthur Marques, Diego Timbó, Jamé, King Saints e TH4I) embute beat de trap e ganha pegada com o rap de King Saints, cantora e compositora fluminense que emergiu no universo pop neste ano de 2023.
King integra – ao lado de Arthur Marques, do rapper fluminense TH4I, cria de Niterói (RJ), e do empresário e produtor Diego Timbó – o time de parceiros recorrentes de Cleo na criação do repertório de Dark pop, álbum apresentado aos poucos pela artista até ficar disponível na íntegra na última sexta-feira, 13 de outubro.
Nem todas as dez músicas são inéditas. Tormento – gravada por Cleo com as rappers Azzy e Karol Conká, parceiras da artista na composição também creditada a Arthur Marques, Diego Timbó, King Saints e TH4I – já foi apresentada há dois anos em single editado em novembro de 2021. Um ano depois, Todo mundo que amei já me fez chorar (Cleo, Arthur Marques, Diego Timbó, King Saints e TH4I, 2022) entrou em rotação em single escorado no clipe dirigido por Belle de Mello e já visto por mais de 1,1 milhão de pessoas.
Da safra inédita do álbum Dark pop, Mente pra mim (Cleo, Arthur Marques, Diego Timbó, King Saints e TH4I) é a faixa mais explicitamente pop que versa sobre o caráter manipulador das relações abusivas, tema em sintonia com o tom sombrio do disco. Em voz mais forte, a música até poderia se tornar hit deste álbum que também põe em pauta o sexo, assunto de Fuck (Cleo, Arthur Marques, King Saints e TH4I), faixa de textura evocativa do rock industrial.
Já Você não sabe amar (Cleo, Arthur Marques, Chamaleo, King Saints e TH4I) mixa rock e trap com a adesão vocal do cantor Chamaleo. No fecho de Dark pop, Seu fim junta Cleo com Johnny Hooker em gravação que combina a intensidade do pop brega de Hooker com pretensas referências de fado e flamenco na gravação da música, creditada a Cleo em parceria com Diego Timbó, Lucas Vaz, Jackie Apostel, Jenni Mosello, Lucas Vaz e TH4I.
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